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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Cenas de sala de aula



A escola como a percebemos é uma construção social, e como tal deve ser analisada a partir do contexto que está inserida. Portanto, acredito que, conhecer os “arredores” desta escola nos auxilia a entender seu interior.
Enquanto instituição, a escola continua pressa ao formato de sua inauguração, classes enfileiradas, conteúdos engessados, sequências cronológicas que por vezes não possuem ligações com o cotidiano dos frequentadores desta escola, ou seja, os educandos. Na grande maioria das vezes, a instituição escolar, que usa como modelo as escolas do século XVII, quer “ensinar” um aluno do século XXI. O choque de perspectivas é gigantesco.
Então, como vamos conseguir fazer com que escola, aluno e professores tenham os mesmos interesses, objetivos e anseios? Já vou logo dizendo que, não tenho as respostas, mas, a partir de meus estudos e analises desde que iniciei na Pedagogia, acredito conseguir enumerar algumas ideias, que talvez se postas em prática, possam auxiliar nesse novo modelo de escola que tanto se fala e tanto se busca.
Creio que o primeiro ponto a se considerar é o conceito de escola democrática. Trabalho em um município onde pude acompanhar a implementação da Gestão Democrática, contudo, apenas escolher quem será a equipe diretiva de uma escola, não é suficiente para de fato chamarmos uma escola de democrática.
Como bem coloca Tosto (2001) “uma escola democrática é uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial na democracia participativa, dando direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários”. E esse talvez seja o mais difícil de alcançar. Não só porque não se tem oportunidade de expor suas ideias, mas também porque, muitas vezes, estamos tão habituados a “não participar” que o simples fato de levantar em uma reunião pedagógica e dizer ao colega “não concordo com você”, se torna um exercício por vezes deixado de lado.
Para efetivamente podermos chamar uma escola de democrática, devemos incentivar nossos educandos, desde sempre, a serem participativos, críticos, nós educadores devemos nos mostrar democráticos. Colocar nosso aluno como centro das ações da escola, e não somente de sua turma. A comunidade escolar deve entender que a escola é de todos, todos tem sua participação.

Referências

BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade,  Porto Alegre, p.89-96, 01 jun.1994. Semestral. 19(1). Disponível em: https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-episyemologicos-2-pdf

MACEDO, Lino de. O construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade. Porto Alegre, p.25-31, 01 jun.1993. 18 (1). Disponível em: http:///www.ufrgs.br/psicoedu/piaget/oconstrutivismo-e-sua-funcao-educacional/
TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. V.4.2001. Disponível em: http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html

segunda-feira, 19 de março de 2018

Escolas Democráticas


Após assistirmos o vídeo, fomos convidados a fazermos uma reflexão:


Segundo Piaget, as aprendizagens se dão a partir de provocações trazidas pelo chamado “provocador”, que neste contexto podemos dizer que somos nós, professores. Nas aulas do professor de artes, que observamos no filme, vemos essa função sendo desenvolvida por parte dele, as provocações, desafios e mais do que isso, um olhar diferenciado para cada aluno, visto que não somos todos iguais e não aprendemos da mesma maneira. Já o desenvolvimento está ligado ao desenvolvimento de nosso corpo, biológico, como nos diz Piaget, “o desenvolvimento é o processo essencial e cada elemento da aprendizagem ocorre como uma função do desenvolvimento total, em lugar de ser um elemento que explica o desenvolvimento (1972)”. Desenvolvimento e aprendizagem andam juntos e se completam. São duas faces da mesma moeda.
Ao ler o texto de Morin, refleti sobre como é impressionante que a educação, que visa transmitir conhecimentos ,seja cega quanto ao que é o conhecimento humano no seus dispositivos, enfermidades, dificuldades, tendências ao erro e a ilusão, e não se preocupe em fazer conhecer o que é conhecer. O conhecimento não pode ser considerado uma ferramenta a ser utilizada sem que sua natureza seja examinada. Dessa maneira, o conhecimento do conhecimento deve aparecer como necessidade primeira, que serviria de preparação para enfrentar os riscos permanentes de erro e de ilusão, que não cessam de parasitar a mente humana. Trata-se de armar cada mente no combate vital rumo à lucidez.
O vídeo que assistimos em aula, nos mostra escolas com diferentes organizações, mas que mostram a mesma realidade. Escolas onde o aluno é mero ouvinte, onde não há uma ligação com o cotidiano, fazendo com que esse aluno perca o interesse pelas aulas e pela escola.
Como bem nos coloca Paulo Freire, Não há comunicação sem dialogicidade, portanto ela se torna essencial, principalmente a nos educadores que temos na comunicação nossa principal ferramenta de trabalho. Ele fala sobre sua visão de mundo e a nossa participação enquanto seres humanos neste mundo, complexo, tecnológico, político. Segundo o autor:

 “ É que há um diálogo invisível, prévio, em que não necessito de inventar perguntas ou fabricar respostas. Os educadores verdadeiramente democráticos não estão-são dialógicos. Uma de suas tarefas substantivas em nossa sociedade é gestar esse clima dialógico”. (FREIRE, 2000, P. 81)

Para que nossos alunos tenham essa autonomia, devemos reestruturar o currículo de nossas escolas, devemos incluir atividades que primem pela autonomia, pela relação com o cotidiano, para que formemos cidadãos e não meros espectadores da sociedade.

REFERÊNCIAS:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
_____________. A sombra dessa mangueira. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 5ª ed. 2012.
PIAGET, Jean. Development and learning. In LAVATTELLY, C. S. e STENDLER, F. Reading in child behavior and development. New York: Hartcourt Brace Janovich, 1972. (Trad.: Paulo F. Slomp, prof. FACED/UFRGS. Revisão: Fernando Becker, PPGEdu-UFRGS)


Desafios da inclusão na escola contemporânea

Quando iniciou-se o processo de implantação da Educação Inclusiva nas escolas regulares, evidenciou-se as profundas transformações que se f...